Um mês afastado daqui.
Material é o que não falta.
Resolvi deixar hoje, aqui, um set indie. Trabalhei com músicas avulsas, sem grandes preocupações. Uma discotecagem básica de uma festinha de casa de amigo. Dele devo aproveitar uns 80% para a minha nova proposta de set para rolar na noite.
Aqui circula gente do naipe de Ives Garden, Cake, Regina Spektor, McfLY, Cocoanut Groove, Hari and Aino, Iran, Friendly Fires, Ida Maria, Kuma, Keane,Sky Larkin, Texas Jesus, Beck, A.C. Newman, e mais uma pá de "fofices".
Então, aumenta o volume que isso daí, também, é rock'n'roll.
E rock é A trilha de nossas vidas.
Tony Amado pode ser considerado o pai da criança.
O berço, Angola.
A convivência com DJs de Ragga, nos EUA, entusiasmou Tony, que foi buscar no Afro Zouk inspiração pra esse estilo que começou com a forma de dançar; depois evoluindo para a música, que é diversão pura. O nome Kuduro, pro português, faz mais sentido. Um jeito meio inusitado de dançar mantendo a bunda parada, estática. Levo hoje aqui alguns nomes como o do Katinga MC, Quim Barreiros, Midexa, Buraka Som Sistema, Kazukuta e outros mais. Sucesso garantido em Portugal, o Kuduro não é mais novidade por aqui.
Prometo uma segunda leva. A mixagem é minha. Agora, levanta o som e te faz no Kuduro.
É giro!
Mais uma Trilha de nossas vidas.
Fazia tempo que não punha pra tocar as guitarradas dos mestres. Afinal foi uma overdose dessa proclamada modernidade da música paraense que nunca existiu. Não, nada de modernidade, nem de inovação, foi mais uma tentativa de descobrir um filão, com as bençãos financeiras do governo, melhor, da gente, do nosso bolso. Talvez até, para ouvidos menos atentos ela possa parecer o que pretendiam. Os Mestres da Guitarrada são, sim, excelentes, mas nada de mais para quem tenha mais de 45 anos e tenha escutado e dançado nos botecos de subúrbio, nos puteiros da Condor e grande parte do Marajó. O certo é que, lógico, é inegável as raízes guitarrísticas de uma linha da música paraense. Aqui, hoje, faço um set quase que totalmente paraense. Um set de festinha de garagem, em dia de chuva. Uma brincadeira dançante que mistura brega, guitarrada, bolero, ska. Botei no mesmo palco Pio Lobato, Mestres da Guitarrada, Tonino Carotone, La Pupuña, Easy Star All-Stars, Satelite Kingston, Cake e Lion Sleep Tonight.
Parece uma gororoba?
É uma gororoba!
Sirvam-se.
Aqui começa mais uma passagem de parte de minha vida em streaming. O que vejo, o que sinto. O que sinto quando vejo. O que vejo quando sinto. Os sons que me acompanham de sempre. Não sei ainda a regularidade das postagens. Ainda apanho. Cinco sets prontos. Longe do que toco na noite. É só uma questão de savoir faire e… voi lá… o primeiro vai estar no ar. Nossa brincadeira, entre eu e vocês, é simples: entrem com a festa que eu entro com a trilha. A trilha de nossas vidas.
Apostei na boçalidade, sai na elegância e por pura calhordisse tirei os sapatos bico fino de couro do armário, as meias Louis V. - não sei andar sem meias-, my unders CK, Davidoff no corpo, camisa de tecido, manga virada e uma garrafa de Stolichnaya. Sentindo-me o rei da boçalidade a minha trilha não podia ser outra senão a feita por boçais.
Os verdadeiros elegantes. Nunca chame um homem desses, como nós, de arrogantes. Os boçais só exibem o que sabem fazer; os arrogantes nem sabem quem são.
Sendo assim, começo pelo blasé Leonard Cohen, em Wating for the miracle e em I'm your man.
Cohen lembra outro grande calhorda e um dos mais refinados artistas contemporâneos, o grande Serge Gainsburg, que divide os sussurros com Brigite Bardot - sim, é dela a voz na sugestiva 69 Année Érotique - e em Lemon Incest, com Charlotte. O metido da vez é conterrâneo de Serge, Adamo - o maior intérprete da internacional Capri, ces't fini, de Hervé Villard - vem com F comme Femme - na minha mais humilde e boçal opinião: o clássico da música romântica-.
Marvin Gaye desfila elegância num dos primeiros engaijamentos da música com a preservação do planeta, Merci, Merci me é um pedido de perdão à natureza - em plena década de 60- e o balanço chic de Marvin recai noutro grande clássico da música black, What's going on. Mais adiante dou bis das duas. De boçal e de louco, eu tenho um pouco.
De Londres vem o guru do britpop: Paul Weller influenciou o rock inglês dos anos 1990, de bandas como Oasis, Blur e principalmente Ocean Colour Scene. Começou no cenário punk com a banda The Jam. Reciclou e passou a criar seu próprio cenário, ainda nos anos 80, junto com Mike Talbot aparece com a Style & Council. É dessa fase a Come to Milton Keynnes e Long hot summer.
Morning, na escoregadia voz de All Jarreau. Biza Marvin, em Mercy, Merci me. Volta para All que dispara Your song.
Joseph Harry Fowler Connick Jr. é o nome do homem. Ou Harry Connick jr. Despotou pro estrelato no início dos 90. Cinema e música. Era tido e havido como o novo Frank Sinatra, o sucessor. Semelhante fisicamente com Sinatra em início de carreira (idêntica também à de Connick) Jr vestia-se tal e qual Sinatra. Sou fã dessa fase. Quando foi na corda da dance musica coisa mixou. Trabalhou em New in Town, P.S. Eu te Amo (2007),Possuídos (2006), Violação de Conduta (2003), Assassinato por Acidente (2001), Meu Cachorro Skip (2000), Independence Day (1996), Copycat - A Vida Imita a Morte (1995), Mentes que Brilham (1991). Do seu primeiro disco vai a clássica I only have eyes for you e, do mesmo disco, Save the last dance for me.
Vai, não deu vontade de dançar?
Biza Marvin, What's going on.
Volta com All Jarreau, desta feita com Fire and Rain, uma versão bem All da música do chatíssimo James Taylor, não tinha rodinha de hippie que não rolasse.
Mas a gente está falando de elegância. Só que agora, o elegante da vez é compositor. Paul Desmond é o nome dele. Take 5 um de seus clássicos. Em duas versões. A primeira com George Benson a seguinte com All Jarreau, de novo.
Todo mundo conhece o cara pelo hit Lady love. Mas Lou Rawls tem um trabalho extenso e absurdamente bom. É com ele South side blues, Tobacco Road e a penúltima do podcast: Georgia on my mind. Encerro com Breezin. Outro clássico de George Benson.
Espero que tenham gostado da brincadeira.
Volto mais adiante com meu blog musical.
A trilha de nossas vidas.
Até lá.